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Tuesday, July 3, 2012

Meds

Hoje é a 5ª toma da combinação Truvada + Stocrin.

Até agora, muito poucos efeitos secundários. Quando acabo de tomar, ao final da noite, após alguns minutos, tenho uma sensação parecida à de quem fumou um charro, mas apenas a nível físico. A cabeça um pouco pesada, mas nada de especial. Tonturas: um ou outro momento em que tenho pequeníssimas tonturas. Sonhos estranhos: sempre os tive, por isso não tenho dado por grande diferença. Sonolência: nada. Náuseas: nada.

Até tenho medo de falar. Tenho medo de entretanto começar a ter estes efeitos forte e feio. Mas... um dia de cada vez. E, de qualquer forma, o importante é que este cocktail funcione e daqui a um mês e meio, quando receber os resultados das próximas análises, os números estejam muito melhores. Na verdade, isso é a única coisa que importa.

Don't fail me, body! E tal como digo para o vírus quando já estou na cama, depois de tomar a medicação:

"Die, motherfucker, die!"



Saturday, June 9, 2012

A (a)normalidade

Existem vários aspectos chocantes após um diagnóstico de HIV. Por um lado, o facto de ser um diagnóstico "definitivo" é brutalmente pesado. Não há nada a fazer, não há tratamento que "tire" isto de dentro de nós. Depois, podemos falar também de tudo aquilo que muda: a vida emocional, social, sexual...

Mas queria falar hoje sobre a "normalidade" que se sente sabendo que existe no nosso corpo algo de muito anormal.

Quando obtive o diagnóstico, sabia que estava já na fase assintomática, ou seja não havia qualquer sintoma da infecção. E mesmo sabendo isso objectivamente, fazia muita confusão (e faz ainda) o facto de me sentir absolutamente normal. Porque mesmo sentindo-me "normal", sabia que este bicho estava dentro de mim. "Mas como é que é possível que eu tenha isto se me sinto igualzinho??" E essa linha de pensamento continua a ter o mesmo impacto. Às vezes, pergunto-me se isto será verdade e não um sonho mau...

Sinto a mesma energia, a mesma saúde, os mesmos problemas que tinha antes (as dores de costas, as dores musculares, as dores de cabeça...). Mas nada disto é anormal, já tinha tudo isto antes. Ou seja, sinto-me eu. Mas assim que penso "sinto-me eu", penso logo a seguir "mas esse eu já é um eu diferente...". E, just like that, fico triste outra vez.

Talvez venha um dia onde o meu eu já tenha aglutinado o bicho de vez. Ele fará parte de mim e isso não é esquisito.

Porque na verdade, eu sou muitas outras coisas para além disto...

Friday, June 8, 2012

1 mês depois

Faz hoje exactamente um mês desde o meu diagnóstico, e por alguma razão, decidi que hoje seria um óptimo dia para criar este blog.

Os objectivos são, ao mesmo tempo, egoístas e altruístas. Por um lado, serve para eu poder desabafar e enviar pensamentos e sentimentos para o universo. Por outro, não consigo deixar de lembrar a aterradora sensação de solidão e isolamento depois de ter descoberto que era seropositivo. E lembro-me de pensar (e ainda penso) que deve ser horrível passar por isto sozinho. Assim, talvez este blog traga alguma conforto a alguém que, por acaso, dê com isto. Se isso acontecer, já terá valido a pena.

Aproveito para agradecer aos amigos... sem eles, isto de ser positivo seria muito pior.